Paradigma

A melhor analogia para explicar o paradigma:

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Ninguém vira Hipótese!

Deparei-me com o texto abaixo em uma das visitas ao Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. É um dos diálogos mais divertidos e sinceros sobre a morte, porém só discordo da frase conclusiva que Monteiro Lobato encerra o diálogo da boneca Emília:

” A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais.

[…] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.

– E depois que morre? – perguntou o Visconde.

– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

[(Monteiro Lobato, Excerto de Memórias da Emília (1936)]

Ninguém vira hipótese, podemos piscar e não ter mais uma pessoa querida ao lado, depois que morre vira saudade, mas nunca hipótese.

Saudades de você Rhaiza!

by Luciano Daniel.

Pessoa que não conheço!

Hoje acordei com os olhos ardendo. A primeira reação é começar a esfregá-los antes de jogar uma água. Sempre que isto acontece lembro-me de uma pessoa que não conheço.

Há um bom tempo entrei em um hospital para fazer uma cirurgia, não era a primeira nem a última daquele ciclo de minha vida. O fato, é que lá estava eu determinada hora da madrugada no pós-operatório despertando da anestesia geral.

A enfermeira de plantão aproximou-se e perguntou se eu estava bem. Ao ouvir sua voz tentei abrir os olhos, e foi um choque. Meus olhos ardiam muito, e não respondi se estava bem ou não, apenas disse em alto e bom tom: – Meus olhos ardem muito!

Sem muita demora, a enfermeira colocou uma compressa úmida em meus olhos fechados, e foi como se jogasse água em brasa.

No decorrer da noite a enfermeira foi trocando as compressas, e explicou-me que pela posição de minha cabeça – a cirurgia foi no rosto – um dos líquidos utilizados pelo cirurgião teria escorrido para os olhos, e que aquela situação era normal.

Além da medicação e alimentação, de todas as enfermeiras presentes naquele plantão somente ela me atendia.

Por volta das 06h00min acontecia a troca das plantonistas e a conversa desta enfermeira com seu chefe chamou-me a atenção.

Ela pediu para ficar até a hora que eu fosse liberado para ir para o quarto. Seu chefe questionou se eu era algum parente, e ela respondeu negativamente. Seu chefe continuou dizendo que ela não poderia ficar além do horário, pois iria configurar como  hora extra. Outro motivo é que aquele era o último plantão dela naquele hospital. Ela estava sendo transferida.

A enfermeira disse que estava ciente daquilo tudo, e estava pedindo permissão para permanecer ali como uma companhia para mim até liberarem minha transferência para o quarto, por volta das 08h00min. Ela queria fazer aquilo por um motivo pessoal, que fiquei sabendo mais tarde quando ela me contou. O enfermeiro chefe acabou consentindo.

Depois desta conversa ela aproximou-se de mim e tivemos um breve diálogo:

– Luciano, reagiu bem à cirurgia e ficará bem. Vou continuar cuidando de você até você ir para o quarto.

Olhei-a e balancei a cabeça afirmativamente. O mal-estar do pós-operatório e o inchaço da cirurgia já estavam mais perceptivos, e não processei muito bem o que ela dizia naquele momento.

– Você não se lembra de mim não é?

Balancei a cabeça negativamente tentando associar aquele rosto a algum conhecido.

– Nos conhecemos em um culto evangélico e você estava com seu amigo de nome engraçado!

Lembrei-me da situação.

– Ramsés. O nome dele é Ramsés. – respondi, ainda tentando lembrar-me daquele rosto.

Lembrei-me de certa vez ao entrarmos no templo da igreja que frequentava, sentamo-nos, eu e meu amigo, no banco da frente onde havia uma moça que estava só. Apresentamo-nos, e meu amigo como de costume já saiu soltando algumas piadas. Ela ria sem jeito, embora bem reservada. A convidamos para sentar-se conosco e ela recusou. No final do culto a convidamos para nos acompanhar ao salão social da igreja onde ela poderia conhecer as demais pessoas de nosso grupo. Ela aceitou, porém ficou por pouco tempo.

– Hoje é meu último dia neste hospital. – disse ela interrompendo minhas lembranças.

– Pedi transferência para outro hospital e é meu último dia aqui. Mas antes de ir embora quero ter certeza que você está bem.

– Por quê? Perguntei confuso.

– Um dia você cuidou de mim sem me conhecer. Eu queria de alguma forma retribuir isso hoje.

Depois deste breve diálogo, que só consegui processar uns três dias depois, recordo que ela ficou ao meu lado até meu médico aparecer e liberar minha transferência para o quarto.

Eu e Ramsés fomos gentis com uma estranha que naquele momento, independente do que estava sentindo, ou do motivo que a levou àquele lugar, sentiu-se cuidada. A atenção que dispensamos a ela naquela noite foi importante. Embora ela tenha dito, não recordo de seu nome. As dores e o desconforto do momento fizeram-me esquecer.

E por isso, nos dias de hoje, além desse breve diálogo, sempre que meus olhos ardem lembro-me daquela pessoa que não conheço.

by Luciano Daniel

Soteropolitano!

 

Em agosto a convite de um amigo resolvemos passar o fim de semana em Salvador. Queríamos conhecer  os pontos históricos e desfrutar a alegria contagiante do povo baiano. Obviamente que meu senso critico foi atento para comprovar de perto a famosa preguiça baiana.

Na sexta peguei  o voo de São Paulo a Salvador com escala em Belo Horizonte. Durante o voo leio um pequeno guia turístico onde aprendo que a origem da palavra soteropolitano vem do grego Soterópolis, que significa “cidade do salvador”, também tomei conhecimento dos principais pontos turísticos do meu passeio.

Na escala em BH nitidamente embarcam os nativos da terra de destino. Na fileira da frente senta-se um garoto com roupas de “mano”, bonezinho na diagonal e ouvindo um axezinho, obviamente sem utilizar o fone. Ao meu lado senta-se um homem que deveria ter por volta de uns 40 anos que após algumas ligações de seu smarthphone para sua atual esposa e para a ex, coloca um axezinho para alegria da galera.

Crianças chorando, mulheres trocando receitas, falando mal da vizinha, de traições, do bucho do marido que será cortado com a “pexera”. Enfim, uma interação que só se vê em batizado do filho da vizinha. Na hora do lanchinho então, ouve-se lá  atrás:

Oh moça me dá mais um docinho desse ai pra criança num chora! – E lá vai a aeromoça sorrindo com uma barra de cereal. E antes de entregar o “docinho” escutamos mais a frente.

Oh moça se deu pra ela também vou querer mais!

Penso comigo:

Jesus! – O que me fez lembrar de uma amiga que dizia: – Jesus me chicoteia!

O avião pousa e a alegria é geral, todos tentam sair ao mesmo tempo, falatório constante, o contínuo choro das crianças. E tento me acalmar:

Calma Luciano, está acabando, está acabando!

Ao desembarcar localizei um posto de serviços de táxi. Para ser atendido tive que esperar as 3 atendentes combinarem como iriam ao show do Capital Inicial que iria acontecer dentro de alguns dias. Após definirem as roupas, o local de encontro, e ônibus que iriam pegar uma delas resolve me atender:

– Pois não Senhor, precisa de um táxi?

– Não, preciso de um sorvete! – obviamente foi o que pensei.

Respondi:

Sim, para a Avenida Oceânica, por favor.

– São R$ 99,00. – Informou-me a atendente.

– R$ 100.00? Que caro! – interfere a atendente ao lado.

– Não! Não, eu errei, são R$ 99.00. – retruca a minha atendente, toda atrapalhada.

Então sua abestada, são R$ 100,00 – responde sua colega.

E inicia-se uma nova discussão que durou uns 5 minutos, onde concluíram que para se chegar a R$ 100,00 seria necessário apenas acrescentar R$ 1,00 ao montante de R$ 99,00.

Débito por favor. – Digo em tom veemente estendendo meu cartão, notoriamente impaciente.

Silêncio geral… as três perceberam minha irritação com o péssimo atendimento e a atendente suaviza a voz e robotiza as ações para finalizar a compra.

Enfim, chego ao hotel, encontro meu amigo, colocamos o papo em dia, vamos a um barzinho próximo ao hotel muito bem localizado, porém com um péssimo serviço.

Todas as impressões até o momento são ruins.

No dia seguinte conhecemos o Pelourinho com todos os seus atrativos, o Elevador Lacerda,  Mercado Modelo, o Palácio Rio Branco. Tudo isso em companhia do “Alexandre”, um guia que pela metade do preço – segundo ele – nos mostrou o centro histórico de Salvador.

– A gente fazemos o melhor para o turista – dizia o guia com frequência.

A gente não podemos levar o turista nas loja.

Quando o turista chega com uma máquina cara – referindo-se a minha Nikon D5000 – a gente sabemos que tá interessado.

Apesar das conjugações verbais errôneas e exageradas, Alexandre fez seu trabalho direitinho. Particularmente não ouvi 90% de todas as explicações que ele deu pois estava fotografando o que me chamava atenção, ou seja, tudo. Meu amigo deu mais atenção a ele não sei se por educação ou por estar realmente interessado.

Almoço no Mercado Modelo e pôr-do-sol na praia da Barra, finalizaram o dia. Um jantar no Shopping da Barra fez-me sentir mais próximo ao meu habitat e pensar em minha frase predileta: Cidade é São Paulo!

Consultamos pela internet algumas baladas na cidade, e meu amigo resolveu pedir umas dicas com um soteropolitano que trabalhava na Lan House do shopping, das casas noturnas da capital:

Amigo, conhece uma boa balada para nos indicar ai? – Perguntou meu amigo.

Aaah (som arrastado)! Pergunta pro taxisseiro! – respondeu o baiano.

Meu amigo volta e me conta o fato, o que levou-nos a bons momentos de gargalhadas.

Encontramos uma balada que nos chamou a atenção e decidimos arriscar. Na saída da Lan House meu amigo questiona novamente:

– Amigo, conhece a balada X? (não me recordo o nome). É boa?

– Ééééé! Responde o baiano arrastando a resposta e deixando a boca semiaberta, fato que rendeu outras boas gargalhadas.

Balada, Forte de Santo Antônio da Barra foram outras atividades antes da hora de ir embora. Não estávamos no mesmo voo, na verdade havia uma diferença de 4 horas entre o voo de meu amigo e o meu. Como eu tinha uma tarde ainda pela frente, voltei ao pelourinho para fazer compras e, surpresa!

O centro histórico de salvador fecha aos domingos, fato este que não consta em nenhum guia. Encontrei algumas lojas abertas, comprei um ou outro souvenir e voltei a andar pela orla, passei no hotel para pegar minhas coisas, aeroporto, e após 3 horas estava de volta a minha cidade maravilhosa.

 

Moral da história. A viagem foi excelente, principalmente quando se tem uma boa companhia. Quanto às impressões do povo baiano, realmente não foram as melhores. Não encontrei um povo preguiçoso, e sim mal educado. O sorriso e alegria contagiante vendida mundo afora é proveniente do quanto você gasta neste ou naquele estabelecimento. Afinal de contas, turismo é um produto do velho capitalismo, e o sorriso e a simpatia são as ferramentas para execução deste trabalho. Conhecer Salvador é um passeio básico e obrigatório aos brasileiros, afinal faz parte de nossa história, e a interação com sua gente depende do quanto você está disposto a gastar.

 

By Luciano Daniel

Flexibilidade Moral

Há algum tempo ouvi a história de uma pessoa que pediu demissão na empresa que trabalhava por estar incomodada com as falcatruas que esta praticava. No momento da demissão seu chefe a acusa de ser justa demais, e lhe diz que devemos ter uma Flexibilidade Moral.

Eu particularmente vibrei com esta expressão “Flexibilidade Moral”, nunca a ouvira antes e pareceu-me a melhor justificativa para nossos atos errados, porém bem pensados.

Ao ser questionado sobre minha flexibilidade moral, em tom de brincadeira respondi que era um Camaleão Corporativo. E ao repassar a história adiante dando muita ênfase a expressão “Flexibilidade Moral”, me desapontei ao perceber que esta não era nenhuma novidade para meus ouvintes.

Queria escrever sobre o tema, mas ao conjecturar as situações o assunto apresentou-se amplo demais. Comecei a delimitar os campos envolvidos e o foco de maior prática da Flexibilidade Moral foram os campos da Política, da Legislação e o Corporativo.

Ao pesquisar no Google sobre o tema obtive 472.000 resultados o que me fez sentir um tolo. Será que fui o último a ter conhecimento que a Flexibilidade Moral é uma prática mais do que comum na consciência humana e aprovada pela maioria?

Segundo Maquiavel a “virtude do Estadista é a flexibilidade moral, a disposição de fazer o que for necessário para alcançar e perenizar a glória cívica e a grandeza – quer haja boas ou más ações envolvidas – contagiando os cidadãos com essa mesma disposição”.

Caracas, isso é uma virtude e eu não sabia. Aquela história de que os fins justificam os meios, nada mais é do que a prática de uma virtude.  É lindo isso!

Podemos roubar, matar, prejudicar alguém, pisar nos outros, ser desonestos, mentir, maltratar, ou seja lá o que for que aos olhos de uma boa pessoa seja injusto, desde que o saldo final desses atos seja uma boa ação. Podemos nos justificar dizendo que fomos contagiados por nosso “estadista” – e olha que temos exemplos mil – que na prática de sua virtude nos envolveu com a Flexibilidade Moral.

Particularmente acredito que apenas as pessoas que possuem essa Flexibilidade Moral podem entender a prática da mesma. Agora se você não entende, não concorda ou não aceita, pede pra sair.

by Luciano Daniel.

Despedida x Partida

Quem nunca disse “adeus” que atire a primeira pedra. Adeus que em seu sentido literal expressa “despedida”, adverbio que significa “fica com Deus”, ou  “vá com Deus”.  Adverbio este muitas vezes verbalizado com vozes embargadas, lágrimas contidas, abraços acalorados com sentimentos que mesclam saudades antecipadas, fé em uma volta incerta e o discurso de uma vida que salta dos olhos esperançosos explicitando o que as palavras não foram capazes de dizer.

Particularmente acredito que dizer adeus para quem vai é bem mais difícil do que dizer para quem fica. Afinal, quem fica, permanece com o sentimento de perda, se agarrando as esperanças de um reencontro. Quem fica tem a tarefa de adaptar a rotina à ausência de quem partiu. Substituir uma conversa, um conselho, um abraço, uma briga, uma companhia em silêncio por outras atividades que também complementem sua existência. Muitas vezes aprender que a solidão também é uma companhia que pode trazer benefícios.

Para quem parte, fica a tarefa da adaptação. De encontrar boas conversas, analisar os abraços, filtrar os novos sorrisos, abrir a mente para as novas oportunidades. Criar uma rotina que demonstre que o tempo passou, mas a sua essência ainda está ali. Que ela não muda, e sim se aperfeiçoa, amadurece e cobra novas atitudes.

Já estive dos dois lados. Já me despedi de pessoas que voltaram, de outras que nunca voltaram, de outras que voltaram para a vida de antes mas que não tinha mais espaço para mim. De outras que voltaram e que eu já tinha preenchido o vazio que deixaram.

Quando pensamos em voltar muitas vezes não estamos preparados para o que vamos encontrar. Quando saímos e retornamos a algum lugar, o tempo que passamos fora nos faz esquecer que a vida teve sua sequencia para ambas as partes. Pensamos que ao voltar encontraremos a rotina que deixamos ainda em ação. Nunca esperamos que nosso lugar, que já não é mais nosso, esteja ocupado. Que as lágrimas de quem ficou secaram e deram lugar a muitos outros sentimos que não compartilhamos mais. Os abraços se afrouxaram, a saudade seguiu seu curso de se perder no tempo.

Vivenciei que quem se despede de alguma forma parte para algum lugar. Partir para uma nova vida, para novos objetivos, novos trabalhos, novas pessoas, novos sentimentos. Partir é seguir em frente mesmo não saindo do lugar. Seguir em frente mesmo não mudando a rotina. Seguir em frente mesmo que o caminho esteja distorcido pelas incertezas, ou pelos olhos marejados. Seguir em frente pelo simples fato de seguir em frente, pois ficando aqui ou buscando o lá longe, você sempre acaba encontrando você mesmo. Esse você que te espera, que te ensina, que te mostra às verdades, que conta as mentiras, que te derruba, que te impulsiona para continuar seguindo em frente.

By Luciano Daniel

Xô Capeta!

O “Avanço do Exorcismo”, esta foi a matéria de capa da revista ISTOÉ de 24/mar/2010.

Corri atrás desta matéria como uma criança corre atrás de doce. Afinal de contas, nesta fase de nossa história  onde a criatividade possui um tapete vermelho que conduz os inventores direto a fama, ou a uma aposentaria antecipada, vemos aqueles que não conseguem pensar em nada de novo reinventando a história, as modas, os objetos. Músicas e filmes remasterizados com o principal argumento da perpetuação da obra. O que deve pensar nossos pais quando nos vêem com um All Star nos pés? O meio cinematográfico apostando em obras antigas já que as novas não estão rendendo o esperado.

A idéia é apostar no antigo, que mostrou ser a galinha dos ovos de ouro, pois aqueles que conheceram a idéia no passado, mesmo não abraçando naquela época vão comentar para a atual geração que já viu. Quem não viu e recebeu recomendação quer ver se interessa. O velho marketing boca a boca que rende milhões ao “velho” capitalismo.

Não sei precisar quando aconteceu, mas muitos se lembram quando uma igreja evangélica aderiu ao produto “Exorcismo” para poder vender melhor sua ideologia. Deram um grande sentido a expressão “Pequenas Igrejas Grandes Negócios”, focando de forma simples e objetiva a causa dos males na humanidade. Diariamente podíamos assistir a uma entrevista com os seres caídos que se ocupavam em atormentar um fraco na fé.

O produto agora foi relançado pela Santa Sé. Sem novidades, sem remasterizações, sem pintura nova, sem novo design. O Coisa Ruim, o Capeta, o Cão que Chupa Manga, o Cão que usa Zorba, o Mau, o Inimigo, o Adversário, o Leviatã, o Caído, o Belzebu, a Estrela D’alva, o Demônio, o Diabo, Satanás, independente de qual seja o nome que conhecemos, Lúcifer está de volta ao cardápio.

Gabriele Amorth – exorcista-chefe do Vaticano – declarou que o demônio estava à solta no Vaticano. A velha história do por que o cachorro entrou na igreja (?). A idéia é criar um exército de exterminadores de demônios pelo mundo. Para tanto será necessário contar a novidade a parte do clero que desconhece a existência do demônio, quanto menos de como fazer para mandá-lo embora. Mesmo com a Pontifícia Universidade Regina Apostolorum – em Roma – mantendo um curso de formação de exorcistas, será necessário um marketing mais agressivo para que o episcopado católico tenha acesso à velha prática a muito esquecida.

O produto existe e está disponível no mercado com o mesmo rótulo, mesma fórmula, as mesmas contra indicações de antes. O “Anjo Rebelde” continua mentiroso, enganando, convencendo o mundo que ele não existe, que é vítima das circunstâncias, que ele também merece “um lugar ao sol” (jargão economista). “O Pai da Mentira” esta ai convencendo o mundo a colocar o dedo na tomada, e quando este o faz é porque utilizou mal o seu livre arbítrio.

Quando um dos seus queridos – quer familiar ou amigos –  estiver girando a cabeça 360º, ou vomitando aquela gosma verde abacate, escalando a parede como aranha ou fazendo a cama levitar a quem você irá recorrer? De qual prateleira vais comprar a solução? Do vendedor que elimina o “encosto” após breve entrevista televisionada pela bagatela de todo do seu patrimônio. Ou do vendedor que possui um diploma de uma Universidade renomada em Roma, com profundo conhecimento do produto, detentor de todas as ferramentas e certificações para atestar a eficácia do serviço?

Não escrevi este texto para convencer alguém da existência do Diabo, ou levantar polêmica dos seres do mundo espiritual, ou se o mundo espiritual existe. Mas este é um assunto que a muito tempo venho estudando e muito me chamou a atenção deste novo foco dado pelo Vaticano a um assunto tão démodé. Engavetaram tanto o Saci que quase ninguém se lembra do porque amarraram aquela fita no dedo. Agora resolveram tirar a poeira do manual e mostrar como funciona o “Novo Velho Produto”.

by Luciano Daniel